A China afirmou hoje que está a “estudar” o agravamento das taxas alfandegárias sobre veículos de alta cilindrada a combustível que importa da União Europeia (UE), para “salvaguardar firmemente os direitos e interesses legítimos das suas indústrias e empresas”.

Um porta-voz do Ministério do Comércio da China afirmou, em comunicado, que Pequim está a realizar investigações para “proteger plenamente os direitos de todas as partes envolvidas”.

A medida surge menos de uma semana depois de Bruxelas ter confirmado a aplicação de taxas punitivas sobre veículos elétricos oriundos da China, que, por sua vez, abriu investigações ‘antidumping’ sobre os produtos lácteos e a carne de porco da União Europeia (UE).

‘Dumping’ significa a venda abaixo do custo de produção, viável através da atribuição de subsídios aos produtores.

“Vamos emitir uma decisão objetiva e justa com base nos resultados das investigações sobre a carne de porco e os produtos lácteos da UE”, disse o porta-voz, acrescentando que o país está também a “considerar medidas como o aumento das taxas sobre as importações de veículos a combustível de grande capacidade”.

A China avançou também hoje com a imposição de medidas 'antidumping' provisórias sobre o brandy importado da UE a partir desta sexta-feira, depois de a Comissão Europeia (CE) ter decidido na semana passada avançar com a imposição de taxas punitivas sobre as importações de veículos elétricos provenientes do país asiático.

Após nove meses de inquérito, Bruxelas sugeriu um aumento das taxas devido ao apoio que o Estado chinês concede às empresas que fabricam automóveis elétricos.

Dependendo do nível de subsídios públicos que as diferentes marcas receberam de Pequim, a Comissão Europeia recomendou um imposto de 7,4% para a BYD, 20% para a Geely e 38,1% para a SAIC. As marcas ocidentais que produzem na China (Telsa, Dacio ou BMW) seriam igualmente tributadas a 21%.